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| Cemitério Israelita de Inhaúma, no Rio | ||
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Lápides têm números, ao invés de nomes, e muro demarca a exclusão das "polacas", as prostitutas judias | ||
| Beatriz Kushnir | ||
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Fotos do acervo pessoal da autora
O Cemitério Israelita de Inhaúma será resguardado enquanto o espaço de sepultamento dos sócios e sócias da Associação Beneficente Funerária e Religiosa Israelita (ABFRI) – as famosas “polacas”. O cemitério está trancado e é preciso fazer um balé de negociações para garantir a entrada. Ninguém mais além de mim e de meus amigos foram até lá no domingo, dia 16/9, entre o Rosh Hashaná e o Yom Kipur, data em que se reverenciam os mortos. Assustei-me com o estado de abandono do lugar, das lápides pintadas com cal e numeradas com colorjet preta, mesmo que existam informações em sua base. Cresce o número de sepulturas sem identificação, mesmo que eu venha constantemente dizendo onde está o documento que recoloca as identidades nos túmulos…
Em fevereiro de 2007 fui impedida de entrar em Inhaúma. Constatei que o Cemitério estava trancado, algo que nunca ocorreu antes. Para tentar entender o que se passava, soube que a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) apoiava uma iniciativa do Comunal de construir um muro separando as lápides existentes de um pequeno terreno ainda ocioso no cemitério e que margeia a favela do Rato Molhado. Esse muro é para impor as normas judaicas de que prostitutas e suicidas são enterrados junto aos muros, demarcando sua exclusão. Após essa “sacralização” e separação, outros enterramentos seriam realizados ali. Por tudo que pesquisei sobre elas, não posso permitir que isso ocorra. Párias não! Torço que a Fierj e o Comunal anunciem, como o fez a Sociedade Cemitério Chevra Kadisha de São Paulo há quase dez anos em Cubatão e no Butantã, a abertura, restauro e manutenção de Inhaúma. Coloco-me, como sempre o fiz, à disposição para ajudar a realizar tal tarefa. Beatriz Kushnir é Doutora em História Social do Trabalho pela UNICAMP. Atualmente dirige o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro [Prefeitura do Rio/Secretaria Municipal das Culturas]. É autora, entre outras obras, de Baile de máscaras: mulheres judias e prostituição. As polacas e suas associações de ajuda mútua (Rio de Janeiro,Imago, 1996).
Saiba mais: Zonas de Solidariedade | ||
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C L A R I N D O
(Paulo Clarindo)
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O Decreto N.º 28.463, de 21/9/2007, publicado no Diário Oficial do Município do RJ de 24/9/2007, é a garantia legal que o Cemitério Israelita de Inhaúma será preservado de forma intacta. Não se farão alterações arquitetônicas, nem promoverão novos enterros sem a autorização expressa do Patrimônio Cultural da Prefeitura do Rio.
O tombamento do cemitério não é inesperado. Aquele campo-santo está ausente de uma ação efetiva. Na década de 1980, o Dr. Siqueira, então presidente da Sociedade Comunal Israelita, assumiu junto ao Departamento de Cemitérios da Prefeitura do Rio que o Comunal zelaria por Inhaúma, já que os sócios e sócias da ABFRI estavam idosos e quase todos falecidos. Nos últimos anos, contudo, o estado de abandono me fez várias vezes solicitar ao Departamento de Cemitérios a limpeza do local.