>Miriam e Dinan e demais companheiras/os de viagem,
>
Em vista do desejo de inicirmos um contato mais direto e tb respondendo
à sugestão da Miriam e Dinan
estou repassando para o grupo um texto que recebi da May East , que contem
informacão basica sobre
consenso como forma ideal de tomada de decisão, sendo esta a forma
utilizada dentro das ecovilas. Acho que o texto oferece elementos
importantes, em vista de estarmos para iniciar um longo processo de tomadas
de decisões em conjunto.
Aproveito tb para propor um encontro no dia 7 de novembro. Estarei em São
Paulo neste dia e tenho a sexta feira livre a partir do período da tarde.
Gostaria de ouvir as vozes do grupo sobre esta possibilidade e tb sobre
explorarmos esse tema nessa reunião.
Como diz a May : Somos as tecelas e somos o tecido, somos os sonhadores,
e somos o Sonho.
Ignez Campedelli Martensen
*Introducao ao Consenso por Bea Briggs
> Introdução ao Consenso
> por Beatrice Briggs
>
> O processo de consenso é um método de tomada de decisões
> baseado em valores como cooperação, confiança, honestidade,
> criatividade, igualdade e respeito.
>
> Nos dias de hoje muita gente usa a palavra consenso, mas bem
> poucos entendem como implementar o processo com integridade e
> habilidade.
>
> O consenso vai além do domínio da maioria. Ocupa o lugar
> de estilos tradicionais de liderança horizontal com um modelo de poder
> e responsabilidade compartilhados.
>
> Um grupo que usa o processo de consenso pode se tornar efetivamente uma
> comunidade saudável e uma poderosa força para impulsionar mudanças
sociais.
>
>
> O básico
> Consenso: Um processo para compartilhar o poder e construir a comunidade
>
> Para construir uma comunidade saudável, devem ser respondidas as questões
> ³quem decide?² ou ³como vamos decidir?².
>
> Fazer escolhas claras dos itens fundamentais com relação ao poder
> e ao processo pode transformar um grupo distinto de pessoas numa
> comunidade forte, estável e amorosa.
>
> Hoje, cada vez mais gente se desilude com estruturas horizontais (de cima
> para baixo), em que um pequeno grupo de poderosos toma as decisões por
> todos.
>
> Até o ideal democrático de governo da maioria tem lacunas, porque produz
> sempre uma minoria sem poder algum. Por todo o mundo, as pessoas procuram
> maneiras de discutir e resolver problemas comuns e construir um futuro
para
> suas crianças que seja ecologicamente são e socialmente justo.
>
> O processo de tomada de decisões que melhor representa essa intenção é
> chamado de consenso.
>
> Consenso é a maneira pela qual um grupo de iguais toma decisões. O
processo
> se apóia na crença fundamental de que cada pessoa tem um pedaço da
verdade.
>
> Desta maneira, cada membro do grupo deve ter espaço e tempo para
> falar da sua verdade e ser ouvido com respeito.
>
> Por outro lado, não se pode permitir que alguns indivíduos dominem o
grupo.
>
> No consenso, assim como nos ecossistemas, cada indivíduo governa e é
> governado pela comunidade maior.
>
> Nessa teia de relações recíprocas, é criada a beleza e a força do todo.
>
> Isso não sugere, no entanto, que o processo de consenso pressuponha ou
> confira automaticamente completa paz e harmonia no grupo. Por causa da
> profunda patologia social e da complexidade das decisões a serem tomadas,
o
> conflito é inevitável.
>
> Assim, em grupos verdadeiramente distintos, as diferenças são um sinal de
> saúde. O principais objetivos do processo de consenso são a resolução de
> conflitos de maneira não-violenta e o desenvolvimento colaborativo de
> decisões que todos no grupo podem apoiar.
>
>
>
> Cinco elementos essenciais
>
> Consenso não é uma panacéia. Não funciona em todas as situações. Para que
> sepossa invocar o poder e a magia do consenso é preciso trabalhar com
cinco
> elementos:
> (1) disposição de dividir o poder
> (2) compromisso claro com o processo de consenso
> (3) objetivo comum
> (4) agendas fortes
> (5) facilitação efetiva
>
> Vamos examinar brevemente cada um desses ingredientes essenciais.
>
> Disposição de dividir o poder
> Os participantes de um grupo de consenso devem ter a disposição de abrir
mão
> dos papéis e privilégios hierárquicos e funcionar como iguais.
>
> As contribuições de especialistas, profissionais e idosos são, por certo,
> bem-vindas, mas não devem silenciar as vozes de outros membros do grupo.
>
> As pessoas acostumadas a comandar freqüentemente têm dificuldade em deixar
> que outros compartilhem da tomada de decisões. Elas pedem idéias,
> informações e assistência, falam sobre igualdade e sobre os ideais
> participativos do consenso da boca para fora. Mas enquanto elas retêm o
> poder de decisão, estarão violando a integridade do processo.
>
> Compromisso claro com o processo de consenso
> Porque o consenso é radicalmente diferente da maneira pela qual a maioria
de
> nós foi condicionada, o processo precisa ser cuidadosamente explicado e os
> princípios fundamentais revisados de tempos em tempos.
>
> Quanto mais pessoas no grupo entenderem o processo, melhor ele vai
> funcionar. Freqüentemente a primeira decisão que um grupo toma por
consenso
> é a escolha de usar o consenso, ou pelo menos tentar durante um certo
> período de tempo.
>
> Avaliações constantes do processo do grupo não apenas assegura o sucesso,
> mas também identifica áreas em que é necessário um aprimoramento.
>
> Essa informação é crítica para a educação e o crescimento do grupo.
> Veja ³Sumário do processo de consenso² no apêndice para uma explicação
> básica sobre propósitos de treinamento.
>
> Objetivo comum
> Sem um propósito abrangente que unifique e focalize seus esforços, um
grupo
> vai ficar enrolado interminavelmente, preso em confusão, frustração e
lutas
> de egos.
>
> No momento em que o processo num grupo se deteriora e vira um campeonato
de
> gritos, ou em que a motivação se enfraqueceu por apatia ou desespero, é
> importante que alguém diga:
> ³Vamos nos lembrar por que estamos aqui².
>
> O objetivo do grupo pode mudar de tempos em tempos e seu compromisso,
> precisar ser revisado, mas ao menos todos vão saber o que está mudando e
por
> quê.
>
> Agendas fortes
> A falta de uma agenda, uma agenda controlada exclusivamente por um ou dois
> ³líderes² ou agendas de má qualidade vão minar o processo de consenso.
Elas
> vão fazer as pessoas perder tempo, desgastar a confiança e diminuir a
> eficiência do grupo.
>
> Por outro lado, um grupo que escolhe umas poucas pessoas para planejar
> aagenda, que depois será coletivamente vista e revisada, se necessário, e
> formalmente adotada por consenso, e respeitada, é um grupo comprometido
com
> seu próprio sucesso.
>
>
> Facilitação efetiva
> Um(a) facilitador(a) é o zelador do processo de consenso, um ³chefe dos
> empregados² cujo objetivo é ajudar o grupo a tomar as melhores decisões
> possíveis.
> Um (a) facilitador (a) é um guia, não um participante da discussão. Ele
ou
> ela devem se manter constantemente neutros sobre os temas em discussão e
ser
> justos no tratamento de todos os membros do grupo, sem mostrar
favoritismos.
>
> Um(a ) facilitador (a) não dá respostas, mas levantas questões
continuamente
> para equilibrar as participações
> (³Estamos ouvindo todo mundo?²),
> encontrar novos caminhos (³Há alguma outra idéia?²),
> e esclarecer a situação do grupo (³Estamos prontos para ir em frente?²)
>
> Para praticar a arte da facilitação, precisa-se de paciência,
perseverança,
> a habilidade de se manter calmo diante de um conflito, uma boa memória,
> senso de humor e um amor verdadeiro para o grupo a que se serve.
>
>
> Procedimentos para se chegar ao consenso
>
> No processo de consenso, não há votações. Idéias ou propostas são
> introduzidas, discutidas até chegarem ao ponto de tomada de decisão. Na
hora
> de tomar a decisão, um participante de um grupo de consenso tem três
opções:
>
> Bloquear.
> Este passo impede o grupo de avançar , ao menos por um tempo. Usar o
> bloqueio é uma decisão séria que só deve ser tomada quando se acredita
> verdadeiramente que a proposta em questão, se adotada, pode violar a
moral,
> a ética ou a segurança de todo o grupo.
>
> Há um limite individual de 3 ou 4 bloqueios para vida inteira, de maneira
> que deve ser usado com prudência.
>
> Se você freqüentemente se vê querendo bloquear uma decisão, provavelmente
> está no grupo errado.
> -
>
> Ficar de lado.
> Um indivíduo fica de lado quando não pode, pessoalmente, apoiar uma
> proposta, mas não tem nada contra o fato de o grupo adotá-la. Ficar de
lado
> é uma decisão de não-participação que tira do indivíduo qualquer
> responsabilidade pela implementação da decisão em questão. Ficar de lado é
> registrado no tempo da reunião. Se há mais que uns poucos que ficam de
lado
> em uma determinada questão, o consenso não foi alcançado.
>
> Dar consentimento
> Quando todos no grupo (exceto os que ficam de lado) dizem ³sim² à
> proposta, alcançou-se o consenso. Consentir não significa necessariamente
> que se adora cada aspecto da proposta, mas que existe a vontade de apoiar
a
> decisão e ficar solidário (a) ao lado do grupo, mesmo que haja
discórdias.
>
> As decisões de consenso só podem ser alteradas quando se alcança um outro
> consenso. Um grupo que toma decisões dessa maneira é único em sua
habilidade
> para ser um agente efetivo de transformação social.
>
> Raízes históricas
> O processo de consenso evolui a partir de duas fontes principais: de
algumas
> tribos indígenas das Américas e da Sociedade dos Amigos (os Quakers), um
> grupo religioso protestante que surgiu na Inglaterra no século XVII. A
> tradição indígena é principalmente oral e, como grande parte da cultura
das
> primeiras nações das Américas, foi destruída pelos invasores europeus.
Ainda
> assim, ainda persiste o costumede se sentar em círculo para discutir
> problemas da comunidade antes de tomar decisões.
>
> Um aspecto distinto da tradição indígena é o peso dado à voz dos idosos e
à
> conexão do grupo com o mundo da natureza. O uso do ³talking stick² (em
> português, vareta falante) é uma prática indígena.
>
>
> Os Quakers têm uma crença poderosa na não-violência e na igualdade. Eles
> acreditam que cada pessoa tem uma luz divina e que ninguém está acima de
> ninguém. Eles rejeitavam práticas hierárquicas como se inclinar diante do
> rei e por isso foram presos e perseguidos. Os Quakers têm uma história
> escrita de mais de 300 anos de tomadas de decisões com consenso. Nos anos
60
> e 70, grupos alternativos, feministas e outros comprometidos com mudanças
> sociais começaram a experimentar o consenso.
>
> Porque freqüentemente eles não entendiam a estrutura do processo e não
> dispunham de boa facilitação, perderam muito tempo e energia em discussões
> prolongadas que não levavam a parte alguma. Além disso, o processo se
tornou
> secularizado, perdendo os elementos espirituais e tribais que hoje vemos
> como necessários para se alcançar o verdadeiro consenso.
>
>
> Copyright 2000 by Beatrice Briggs from Introduction to Consensus